domingo, 17 de setembro de 2017

Conversation

Olá,estou de volta e eu acabei de fazer esse capítulo,estava com ele na cabeça já,só precisava passar pro PC.
Acho que ninguém nunca abordou a menstruação nas fics,como se as personagens não passassem por isso,talvez em capítulos futuros eu não volte a retorna esse assunto pois não há necessidade,mas eu trouxe pra esse capítulo,pra aproximar um pouco a Scarlet e o Andy.Eu faço os capítulo sem pensar nas próximas sequencias,sou assim meio perdida mesmo.Fazer o que ? 
Desculpa qualquer erro,boa leitura.
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Scarlet 
Andava de um lado para o outro,capaz que eu formasse um buraco no chão a qualquer momento e talvez isso não seria ruim,assim eu poderia sair desse sótão,estava cansada de ficar ali,já se passaram dias e eu continuava no mesmo lugar,com desconforto,um lugar mal iluminado e de estrutura pequena de largura,esse lugar fede a mofo.

Estava tentando ocupar minha cabeça com alguma coisa,já tentei voltar a dormi mas por incrível que pareça isso cansa,ficar deitada sem sono e sem cansaço não é uma coisa legal é entediante,liguei o pequeno e velho radio que o CC me deu mas nada que estava passando nele prestava,porém eu deixei numa estação onde passava músicas velhas,pois era a unica coisa que estava prestando.Só queria que o tempo passasse mais rápido para que eu saísse desse lugar o quanto antes.

Bufei irritada pois alem de estar entediada estava suja,fazia alguns dias em que eu não tomava banho,na verdade o ultimo banho em que eu tive foi quando eles me trouxeram pra cá e CC me emprestou algumas peças de roupas,além disso,fazer minhas necessidades também é complicada,não é sempre que eles me levam ao banheiro,nesse sótão possui ate um balde para que eu possa fazer minhas necessidades neles,parece que eles não entendem nada de higiene por aqui, me recuso fazer outra coisa alem de urinar nele e usar o pouco de papel que eles me deram.Tendo em vista,eles tem que vim aqui todos os dias me alimentar alem de recolher o balde e me devolver limpo-e que seria menor pior se eles deixassem eu usar o banheiro todos os dias-provavelmente eu me encontro nessas circunstancia por causa do dia em que eu resolvi fugir.

Resolvi vasculhar outra parte do sótão,andei mais alguns passos e encontrei algumas caixas,todas empoeiradas,me recusei a mexe-las pois minhas mãos ficariam sujas e muito provável que eu não iria conseguir lava-las,mas estava tão entediante que resolvi me arriscar e fuçar para vê o que eu encontraria ali.Apos abrir comecei a vasculhar,encontrei algumas fotos,talvez fossem dos antigos donos dessa casa,talvez eles estivessem esquecido ou simplesmente falecidos - se eu me encontrava com certo medo dessa possibilidade ? claro que não,a situação em que eu estou é mil vezes pior,mesmo que eu não saiba o motivo de suas mortes,caso eles realmente tenham morrido- voltei a vasculhar e achei alguns livros de literatura,não é o meu forte mas talvez tire o tédio em que esta me consumindo.

Peguei um dos livros e nem me dei o trabalho de olhar o nome do mesmo,fui para o pequeno colchão a onde eu dormia e comecei a ler,encontrava algumas palavras difíceis mas mesmo assim continuava a ler,era a unica coisa que me restava ali.

Já se passava das quatro da tarde e nem o almoço eles haviam me dado,sera que eles esqueceram de mim aqui ? Ignorei a hipótese de almoçar e jantar hoje e voltei a minha atenção para o livro.Comecei a sentir certos desconfortos ao ler o livro,uma forte dor perto da minha virilha esta se formando,olhei para baixo e pude confirmar a minha dor,eu havia menstruado.Merda.

Agora que a minha situação piora,pensei comigo,fechei o livro e deixei ele de lado,fui ate a porta do sótão,me agachei até a pequena porta e aproximei minha boca da mesma e comecei a gritar pelo nome do CC,impressão minha ou não existe vida mais nessa casa ? parecia que ninguém me escutava.Retornei a gritar e dessa vez com mais intensidade.

Quando ia gritar pela ultima vez a porta se abriu tão rapidamente que me fez cair sentada para trás com o medo e a rapidez da porta.

― Da pra para de gritar ? - falou em voz alta um de cabelo cumprido com os olhos meio puxado ― O que você quer ? - percebia que seu temperamento não estava calmo.

― Cade o CC ? Eu gritei pelo nome dele e não pelo seu,alias nem me lembro do seu teu nome.

― CC não esta,diz logo o que você quer,pois eu não tenho tempo pra perde com você.

― Preciso ir ao banheiro - falei sem olha-lo,estava tentando esconder minha calça toda manchada,que a cada minuto q passava ia manchando cada vez mais.

― Você já tem um balde ali,não precisa descer até o banheiro.

― Você não me entendeu.Eu preciso - digo pausadamente ― Ir ao banheiro.Alem de eu estar suja,dias sem tomar banho a dias,um imprevisto apareceu.

― Que imprevisto seria esse ? - disse com desdem.

― Fiquei menstruada - falei tímida,com uma voz baixa,como se isso fosse pecado.

― E isso é problema meu ? - ele não pode ta falando serio.

― Isto é serio ? Eu apenas peço pra que me leva na droga de um banheiro,isto é pedir muito ? Porque eu não sei você,mas nas aulas de biologia explica o corpo da mulher,que vocês tivessem pensado duas vezes antes de me sequestrar - apos termina de falar,percebi que me encontrava em pé o encarando com uma cara feia e falando com um tom muito alto.

― Olha o jeito que você fala comigo,sua piranha - ele aperta o meu maxilar e logo em seguida o solta empurrando minha cabeça para trás,me fazendo cambalear um pouco.Ele olha para o meio das minhas pernas ― Que nojo,vamos logo com isso.

Desço as escadas do sótão com cuidado e vou seguindo logo atrás para o banheiro,assim que eu chego em frente a porta ele me da passagem para adentrar.

― Vê se não demora. - diz já do outro lado da porta,apos eu termina de trancar 

― Preciso de absorventes se não,não terá como eu sair daqui e roupas novas também,pois esta fedida e suja...ah e uma toalha.

― Você esta pedido coisas de mais - disse sem paciência.

― Você simplesmente não quer q eu coloque apenas um absorvente e fique com a mesma roupa,eu preciso dessas coisas agora. - escutei bufar atras da porta e ouvi passos andando pelo quarto.

― Abre essa maldita porta,ates que a minha paciência acabe eu estrangulo você - como o CC fazia falta essas horas,esse cara simplesmente não consegue entender as minhas necessidades como de qualquer um,abri a porta e peguei a roupa e a toalha que ele providenciou para mim,coloquei em cima da pia e fiquei sentada na privada com a calça abaixada para não ter que suja-la mais,esperando o meu pertence higiênico pessoal.

―Estou indo buscar essa porcaria de absorvente para você,nem pense em tentar fugir pois os outros estão lá em baixo. - bufei,como se eu tivesse condições de fugir daqui.

Alguns minutos se passaram até ele voltar a bater na porta.

― Esta aqui esta merda - abri a porta e peguei de sua mão,voltando trancar logo em seguida.Olhei para o pacote em minhas mãos e não acreditava no que via.

― Seu idiota,isso é um O.B.Não posso usar isso.

― Qual o problema garota,coloca isso logo.

― Num mercado ou farmácia com tantos absorventes iguais e você me pega o qual possui alguns na prateleira,você é burro por acaso.- estava encostada na porta,escutei um estrondo atrás de mim e levei um susto,ele havia chutado a porta e feio um barulho enorme,com sorte não conseguiu derruba-la.Escutei xingando atrás de mim,mas não dei ouvidos,estava tranca,segura,sem ele pode fazer nada comigo e eu podendo "meter pau" nele.

Escutei a voz do Andy logo em seguida perguntando o que estava acontecendo e logo o Andy mandou ele me trazer outro pacote,qualquer um que não fosse esse que acabara de me trazer.

― Você da trabalho - escutei a voz do Andy atras.

― Não tenho culpa se seus capangas são burros e vou dizer a mesma coisa que eu disse para ele,pensasse duas vezes antes de sequestrar uma garota,não sei se vocês sabem mas eu ainda não entrei na fase da menopausa.- ainda encostada na porta,vou me agachando até ficar sentada no chão.Parecia que ele fazia o mesmo atrás da porta.

― Olha o jeito que você fala - repeti a suas palavras fazendo careta,ainda bem que ele não possa e vê.

― Sabe que não precisa ficar atrás da porta né ? Se a preocupação de vocês for com o fato de tentar fugir,não sei se vocês perceberam mas não tenho escapatória,não há pra onde fugir e mesmo se tivesse eu com certeza não iria longe.

― Que bom que você sabe - disse debochado.

― Mas eu vou sair daqui,assim que a entrega do dinheiro for efeituado e poderei sair desse inferno.

Escutei uma risada dele atrás da porta,como se ele estivesse discordando com o que eu acabara de dizer.

― O que há de engraçado ? - estava com raiva.

― Nada,mas as vezes sua ingenuidade é engraçada.

Um silencio tomou conta do lugar.

― Por que você não conta a sua historia ? - fiz essa pergunta com receio do que viria logo a seguir.

― Como assim ? Que historia ?

― Como você veio parar nesse ramo,digo,CC me contou a trajetória de cada um, para estar nessa situação,por vocês serem sequestradores e qualquer outra maldade que vocês possam fazer.Ele acabou não contando a sua historia.E agora eu te pergunto,como ?

― Isso não é do seu interesse.Alias,você acha que tem o direito de pergunta o que entende ?

― Sou livre pra fazer qualquer tipo de pergunta,só queria entender essa situação toda,porque escolheu essa vida,porque esta me fazendo passar por isso,sei que estou sendo desafiadora fazendo esse tipo de pergunta talvez,alias creio que nenhuma garota na minha situação,sendo sequestrada estaria fazendo esse tipo de pergunta e alem do mais estando calma como eu estou.Eu apenas queria conversa,isso se conseguirmos manter uma conversa,sai desse tédio,entender o seu lado da historia,entender o seu passado,a vida que escolheu trilhar.Pra eu estar presa aqui,você deve conhecer a minha vida na ponta da sua língua,porque não posso conhecer a sua ? Não contaria para ninguém sobre a sua vida,caso eu saísse daqui agora,na verdade,eu ia querer esquecer tudo o que eu passei.

Antes que ele pudesse responder qualquer outra coisa,o tal cara chegou com um pacote certo dessa vez,percebendo que ele não iria responder,me despi,coloquei a roupa suja num balde de roupas,liguei a torneira e esperei a água esquentar,porém a água não mudava o seu estado então o único jeito era adentrar aquela água fria,lavei rapidamente o meu corpo e o meu cabelo,esse momento seria o qual eu aproveitava o máximo da água apos ficar dias sem tomar banho,porém aquela água estava tão fria que eu não conseguia passar se quer mais um minuto de baixo dela,assim que terminei me sequei e coloquei a minha roupa.Achei um pente e penteei os meus cabelos.Abri a porta e o Andy continuava atrás dela,sentado apoiado na porta de costa para mim,do mesmo jeito que eu estava,enquanto eu conversava com ele.Ele não havia percebido que eu já havia saído e que me encontrava atrás dele.

― Terminei - senti ele se levantar e ficar de frente para mim,não sei se havia percebido antes,mas ele era enorme. ― Posso te pedir um favor,se não for irrita-lo ? - ele levantou a cabeça para cima para que eu continuasse. ― Posso passar a dormi no quarto de alguns de vocês ? 

― O que tem no sótão ? - a primeira coisa que ele disse depois de tudo que eu falei.

― Lá é desconfortável e não possui uma boa iluminação e eu também sujei a minha cama de sangue ,então não tenho a onde eu dormi.Prometo não tentar fugir,não preciso repetir tudo o que eu te disse,preciso ? Sabe que eu não tenho pra onde fugir.

― Pode,mas você ficara no meu quarto - assenti ― Dormira comigo. - olhei para ele,estranhando,me recuando mentalmente,com medo do possível e impossível.

― Tudo bem.










quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Miranda

Nunca havia acordado tão cedo na minha vida em um sábado,devia ser umas seis e vinte e cinco da manhã,esse fato se da por eu estar presa,sem determinar exatamente a quantos dias eu me encontrava ali,sabe que eu passo a maior parte do tempo dormindo por conta do tédio.Estava sentada com as pernas cruzadas e os meus braços abraçando minhas pernas,enquanto eu olhava o tempo como havia amanhecido naquele dia.Pela pequena janela que tinha ali,bem ao alto quase perto do teto eu conseguia visualizar a fraca chuva que caia lá fora que com certeza vai se intensificar ao longo da tarde.

Eu até poderia tentar fugir novamente se a porta do sótão não estivesse trancada agora como eu faço pra ir ao banheiro quando eu acordo ? Simples,eu não vou,preciso que alguém abra pra mim e me acompanhe.Sou vigiada nessa casa por vinte e quatro horas e eu não preciso de câmeras ou ficar em cima de mim pra saber que isso acontece.

Fechei os olhos e respirei fundo,desejando que todo esse pesadelo acabasse ali agora,que tudo não passasse por um pesadelo terrível,fiquei uns quinze minutos de olhos fechado pensando em tudo que eu já passei até ser despertada com alguém abrindo a porta do sótão,olhei para trás com a expectativa de ver o CC entrando por aquela porta no chão,mas apenas uns dos capangas de Andy,jogando arrastado pelo chão um prato que deve ser meu café da manhã.

No prato havia apenas um pão francês sem nada,nem ao menos um copo de leite ou água para acompanhar,respirei fundo novamente,peguei o pão e comecei a degusta-lo,nunca pensei quanto um pão é gostoso,parecia que eu sentia cada ingrediente dele,não estava quente mas estava suficiente para mim,nas condições em que estou não posso reclamar,senão é capaz deles tirarem o que me "resta".
                                                                                   -//-
Miranda

― Miranda,a senhora precisa descansa e se alimentar melhor,não pode continuar assim. - Fabrício disse atrás de mim,estava com um copo de água nas mãos encarando a janela a minha frente e a paisagem que ela me mostrava la fora,uma rua vazia com algumas arvores ao lado das casas.Todos os dias eu me encontrava na mesma posição,estava com um vazio dentro de mim,levaram a minha Scarlet e depois daquele telefonema meu desespero só aumenta.

―Você não entende Fabrício,levaram minha filha - digo com os olhos já marejados e a garganta rouca ― Eles me tiraram a pessoa mais importante e valiosa de mim,meu mundo desandou por completo e ainda me pedem uma quantia que eu não possuo,você sabe que eu fico noites sem dormi tentando pesar o que possa ta acontecendo com ela agora e no final de tudo eu me sinto completamente culpada.

― Consigo entender completamente a sua dor,não foi fácil quando perdi minha esposa,mas diante de tudo isso temos que olhar o lado bom,Scarlet ainda esta viva e vai continuar por um bom tempo,esse não é o seu destino e alem do mais,a senhora não deve se culpar por algo que não a tem respeito.Vamos conseguir esse dinheiro e a nossa Scarlet de volta.Irei preparar algo pra você comer,precisa se alimentar melhor e relaxar,vamos resolver isso tudo e alias a policia já esta atrás dela.

Assenti com as palavras de Fabrício porem metade do que ele disse não havia prestado atenção,estava muito ocupada pensando em como iria conseguir salvar a minha filha,como iria resolver tudo,levantei-me e fui ao banheiro em passos lentos enquanto me despia,regulei o chuveiro e adentrei quando a água acabara de ficar quente.Me lembrando do dia que o pesadelo começou.

Miranda Flashback On

― Filha ? Já cheguei - deixei minhas coisas em cima da mesa e comecei a subir as escadas,entrei no quarto de Scarlet mas ela não se encontrava lá ― Deve estar curtindo a noite ainda - penso em voz alta e vou para o meu quarto,tomo um banho,deito e durmo.

No dia seguinte,fui até o quarto de Scarlet para vê como ela estava,porém a mesma não se encontrava la,comecei a ficar preocupada e decidi ligar para ela,seu telefone caia na caixa postal,liguei para Olivia uma de suas amigas,ela me atendeu com uma voz de sono e negando a presença de minha filha em sua casa,perguntei a onde ela poderia estar mas ela não sabia me dizer,a única coisa que ela se lembrava era de Scarlet ter saído cedo festa.

Meu estado de alerta me despertou e eu comecei a ficar mais preocupada,liguei para Fabrício para saber se havia pego e deixado na casa de qualquer outra amiga,coisa que eu duvidaria pois a Scarlet me avisaria mas não queria pensar no pior,minha cabeça queria de qualquer forma me conscientizar pelo melhor mesmo sentindo algo negativo dentro de mim.

Liguei para policia procurando pela minha filha e os mesmo disseram que começariam as busca,os gurdas que circulavam pelo meu bairro disse não ter visto minha filha naquela região,ninguém sabia a onde ela se encontrava.Meu mundo caiu assim que a minha teoria foi concebida,eles haviam pego minha filha,minha Scarlet,os mesmo pediram uma quantia alta de dinheiro que eu não possuía,mas precisava arrumar de qualquer forma para regasta-la.

Comecei a chorar por não senti-la nos meus braços,protegida e confortável,eles não podiam tirar de mim a coisa mais preciosa e o que restou de nossa família.

Minhas noites ficaram mal dormidas e minha alimentação foi piorando com o dia que eu não vi minha filha acorda em sua cama,olheiras ficaram mais evidentes em mim,minha boca seca e pálida,parecia doente,mas não duvidaria se isso acontecesse no estado em que eu me encontro.

Miranda Flashback Off

― Que Deus esteja contigo minha filha,você voltara para mim filha,prometo - disse fechando meus olhos e deixando o choro tomar conta de mim enquanto a água caia sob minha cabeça.





domingo, 19 de fevereiro de 2017

May

Quarta-feira.Quinta-feira.Sexta-feira...Eu já não fazia a ideia o dia da semana em que estávamos,nem que dia era e nem se o mês havia acabado,eu tentava deduzir que horas eram,dificilmente eu conseguia vê o brilho do sol e da lua,a única vista que eu tinha do céu era de uma pequena janela que ficava no sótão.

Noites mal dormidas,com frio,calor,fome,cede,raramente eu acordava e dizia para mim mesma,que aquela foi uma boa noite,agora nessas circunstancias eu creio que nunca haveria uma noite digna.Todos os dias eu lembrava da minha casa,do conforto que ela trazia pra mim,da comida da mamãe,dela me acordando pra ir a escola mesmo eu resmungando,das suas advertências,dos seus abraços e da sua voz,estava sentindo até saudades do colégio,dos meus amigos,do Jerry e de seus beijos,das nossas festas,risadas,bebidas.Agora eu não tinha mais nada,tudo fora arrancado de mim e eu não sabia quando esse sofrimento acabaria e seguiria com a minha vida novamente.

CC vinha todos os dias e todas hora me visitar,trazia tudo o que eu necessitava,ele passava bastante tempo comigo,conversávamos de tudo,ele se tornou realmente um amigo fiel,gostava quando ele me via,pois assim as horas passavam mais rápido e eu não ficava no tédio presa no sótão.Andrew passava la de vez em quando para vê se eu não tinha aprontado nada ou que CC tivesse me ajudado além do que preciso,seu olhar era sempre profundo e revoltado.Conseguia escutar as discussões sem sentido que Andrew tinha com CC.

Estava sentada com as costas apoiada na parede e mexendo no pequeno rádio que CC havia conseguido pra mim,esse era um dos meus passatempo enquanto permanecia presa aqui.Na rádio,noticias sobre o meu paradeiro era falado em todas as estações de rádios e eu na tentativa de me acharem falava com o objeto a onde eu me encontrava como se algo fosse adiantar.No momento tocava uma musica antiga do Codplay -The Scientist,fazia bastante tempo que eu não a escutava,quando as notas do piano começou a tocar,fechei os meus olhos e comecei a cantar baixinho junto com a música,lembrando da vida e de seu sentindo,de tudo que já me aconteceu e o que me espera,é isso que musicas depressivas nos fazem lembrar geralmente.

Nobody said it was easy.No one ever said it would be so hard.I'm not going back to the start. - Modifiquei o final da musica e suspirei fundo assim que ela terminou,logo outra música começou a tocar em seguida,mas eu não dei muita atenção,pois assim que eu abri os olhos CC se encontrava dentro do sótão.―A quanto tempo esta ai ?

― Só quando você cantou a ultima parte da musica,alias.você canta muito bem.- Ri sem muita vontade.

― Não precisa força elogios,eu não sei cantar.Apesar de ser um dom que eu gostaria de possui-lo.Esta aqui pois esta entediado assim que nem eu ? - Assentiu,bati com a minha mão direita ao meu lado.indicando pra que sentasse do meu lado.― Posso pergunta o porque do Andrew ficar discutindo com você ? Aprontou alguma coisa?

― Andrew é um babaca,ele pensa que eu estou tentando ajuda-la a sair daqui,que na verdade estou,mas ele não pode saber disso - Sorriu - Ele diz também que eu passo tempo de mais com você e que isso nunca ocorreu com outra menina ou mulher que esteve aqui,disse que não era pra eu me apaixonar por você.Não que você seja feia,mas eu não sinto atrações por você,a vejo como uma irma em apuros.

― Eu também o vejo como um irmão em apuros.Os seus olhos me dizem que você não queria fazer parte de nada disso.Como você,na verdade como todos vocês entraram nessa ? Por que vocês começaram isso ?

― Esta afim de saber a historia de cada um ? - Assenti - Tudo bem.Bom vou começar por mim então.Quando eu entrei na gangue todos já faziam parte,eu tinha quinze anos quando perdi os meus pais em um acidente de carro,eles estavam em uma viagem por causa da empresa em que ambos trabalhavam,na volta pra casa um caminhão acertou eles,estávamos morando em outro pais no caso aqui em Los Angeles e sem parente algum e com dividas com o banco foi difícil ter contanto com algum parente,mesmo nenhum deles querendo eu em suas vidas para não possuir mais um peso nas costas,com a dívida e sem poder paga-la acabei parando nas ruas,no inverno ao lado de uma loja eu estava tentando me aquecer com apenas o que eu possuía,foi quando Jake passou por mim e viu o meu estado,ele disse que me levaria pra um lugar melhor,assim que cheguei a esse tal lugar me deparei com o Andy,ele disse que eu poderia ficar caso eu trabalhasse pra ele e assim eu aceitei,ele me colocou na área de roubo,se eu tivesse uma terceira oportunidade de fazer tudo diferente e não ficar sozinho sem nada pode ter certeza que eu faria.

―Como você ficou sabendo da noticia dos seus pais ?

― Passou pelo o jornal sobre a morte deles e assim que disseram os nomes eu os reconheci.

― Eu sinto muito pelos seus pais,também perdi o meu pai e você já sabe disso,mas ele não foi a minha unica perda,minha mãe estava grávida a um ano antes do meu pai falecer,ela estava de cinco meses porém sofreu um aborto espontâneo,ele iria se chamar Christian,mas por outro lado ganhei um novo irmão mais velho - Sorrimos - Alias quantos anos você tem ?

― Trinta.

― Nossa,eu dava uns vinte e oito pra você...Tudo bem,continua me falando dos outros.

― O Jake,o que me tirou daquela situação,ele era um viciado em drogas,roubava dinheiro de seus pais para se alimentar cada vez mais de seu vicio,deixando-o com varias dividas,seus pais não sabia que ele era um drogado e descobriram isso conforme sua aparência foi piorando,assim que eles descobriram o colocaram para fora de casa.Andy era o cara pra quem o Jake devia e para que Andrew não metesse uma bala nele,o mesmo o chamou para trabalhar pra ele como forma de pagar suas dividas. Jake cuida de todo tipo de tráfico,armas,drogas,pessoas,órgãos.

― Órgãos ? - Perguntei assustada,como assim eles retiram os órgãos de cada pessoa que passa por eles ?

― Os órgãos no caso são dos nossos inimigos,intriga entre outras gangues,se matamos um deles aproveitamos de tudo e vendemos seus órgãos.

― Que horror,por que você fazem isso ? Você se sente confortável com isso ?

― Não,claro que não.Porém eu não posso me intrometer em assuntos e na área que não é minha,nada que acontece aqui eu acho certo.

― Acredito em você.E os outros ?

― Ashley era outro viciado porem em bebidas,assim que descobriu que era adotado,algo deu nele o que levou a se afogar nas bebidas,ele e Andy eram amigos de infância,Ash foi o segundo a entrar na gangue após o Andy é claro,ele cuida da área de prostituição. Jinxx parou nas ruas como eu,porém ele não perdeu os seus pais,apenas decidiu que seguiria suas próprias regras,o que não deu muito certo,ele encontrou a gangue e começou a fazer parte dela,ele viu que não precisava seguir tantas regras e não se importou em se meter nesse gangue.E ele esta sempre a disposição.

― Todos que você até agora falou tiveram uma segunda chance e as desperdiçaram,todos tinham uma solução,menos você,eu sinto muito.

― Não sinta,sairemos dessa juntos.

― E o Andrew ? Por que ele decidiu dar inicio a tudo isso ? O que ele pretendia ?

― Bom,o Andrew ele...- CC foi interrompido assim que Andy começou a gritar pelo seu nome,assim que CC se levantou,virou-se pra mim.

― Depois eu lhe conto sobre o Andrew,eu preciso ir.

―Tudo bem,melhor não o deixar irritado o esperando.A proposito CC,pode me dizer em que dia,mês estamos e as horas por favor ?

― São quatro horas da tarde do dia 23 de maio.

― Obrigada.






sábado, 21 de janeiro de 2017

Mom

O que aquele idiota iria fazer ? Ameaçar a minha mãe tentando me afetar ? Pedir dinheiro pro resgate ? Ficar atormentando ela dia e noite ? Minha mãe não merecia passar por esse sufoco porém não que ela não fosse ficar menos preocupada mas saberia a onde eu me "encontrava" e tentaria de tudo pra me ver ao seu lado novamente e que nada acontecesse comigo,apesar dessa alternativa ser falha.

 O desejava  boa sorte pra conseguir desbloquear o meu celular e descobrir o telefone de minha mãe,sabe que eu não coloco o contato dela referindo-se como minha mãe e sim o seu primeiro nome.Mas infelizmente o desgraçado conseguiu,com a ajuda de um de seus amigos,que não posso negar me surpreendeu a sua facilidade,deve ter adquirido essa habilidade com anos de pratica,também quantas meninas não se encontraram na mesma situação da minha e quantas ameaças não foram feitas pelos seus parentes ?

―  Impressionada baby ? - Falou Jinxx levantando meu queixo com o seu polegar e me encarando no fundo dos olhos,aquela sensação não estava me agradando nenhuma pouco.Retirou o seu dedo do meu rosto e voltei os meus olhos para Andy o encarando e o mesmo sorria debochado e balançava o meu celular em suas mãos,já desbloqueado.

― Ah...Obrigado Jinxx,sempre um gênio da tecnologia,sabe eu poderia vender ele pra ganhar uma grana,alias você não ira mais precisar dele,assim como as outras.Mas,preciso dele para poder me comunicar com a sua mamãe - debochou ― Jinxx ache o numero de algum parente dela - Andrew devolveu o meu celular para seu amigo e em menos de cinco minutos o mesmo descobriu o contato de minha mãe. ― E tenta fazer esse celular não ser rastreado...Pronto ?- Jinxx assentiu ―Pode sair agora,quero ficar a sós com a minha nova bonequinha.- engoli em seco.

Andrew tirou com brutalidade a fita da minha boca,fazendo meu rosto e o meu couro cabeludo doer pelos pequenos fios de cabelo que e encontrava preso com a fita e sendo puxadas assim que arrancou a fita de mim e o canto da minha boca provavelmente estaria vermelho.

― Pensei que você me deixaria calada a noite inteira,eu não falo demais ? - digo irônica,eu realmente deveria escutar o CC,em obedece-los e não ser teimosa ao ponto de provoca-los ou responde-los porém o meu jeito de ser assim fala mais alto apesar de estar com um pé atrás com tudo e com todos.

― Não se preocupe - sorriu,gostaria de negar diante de toda essa situação mas o seu sorriso era maravilhoso e...meu foco não podia ser nele,alias ele estava me sequestrando e me maltratando,como poderia pensar numa coisas dessas ? ― Você voltara a ficar pianinho pois não estou com paciência pra ouvir sua voz e suas reclamações,você apenas conversara com a sua mãe e assim que a ligação finalizar voltara a ficar quieta - Levantou-se e foi até uma mesinha de madeira um pouco destruída e foi puxando até o meio entre nos dois e colocou o meu celular sobre ele.

― Quero que diga,apenas o seguinte sem enrolação e choro: estão pedindo vinte mil em dinheiro vivo até o dia trinta do mês que vem e que ela apareça com o dinheiro na cafeteria que há a quatro quadras da sua casa e que se ela chamar a policia vocês duas estarão ferradas e que assim que o dinheiro estiver em minhas mãos entregarei você a ela.E não ouse em falar o nome de nenhum dos capangas,Fui claro ? - Assenti calada,sem olhar para o seu rosto.

A chamada começou a ser feita e meu coração acelerava só por saber que eu escutaria a voz de minha mãe sem aclamar por ajuda,meus olhos estavam marejados e meu corpo tremulo.Foram feita quatro ligações e nenhuma delas foi atendida pela minha mãe,talvez ela estivesse ocupada chamando por ajuda ou dormindo pelos efeitos dos remédios para que pudesse descansar por algumas horas para ter forças pra continuar.Na quinta chamada o telefone foi atendido no primeiro toque,sua voz estava embargada pelo choro,podia sentir a sua euforia,o telefone se encontrava em viva voz para que Andrew pudesse ouvir com clareza e provavelmente se alegrar com o sofrimento de minha mãe enquanto ela falava comigo.


― Scarlet,filha,pela mor de Deus filha...Filha a onde você esta ? Nenhuma dos seus amigos sabem a onde você foi ? Por favor Deus diga que esta bem,volta pra casa,por favor,por favor,por favor - Minha mãe implorava do outro lado da linha que tudo estivesse bem e que não passasse talvez de um surto meu,mesmo que isso não fizesse sentido.Suas implorações para que eu estivesse bem continuava e Andrew já sem paciência atrás de mim bateu fortemente em meu braço,fazendo-o ir pra frente e me machucando,uma atitude dizendo para que eu falasse logo o que eles pretendiam.

―Mãe - disse lentamente - Eu preciso que no dia trinta do mês que vem você apareça com vinte mil em dinheiro na cafeteria que fica a quatro quadras da nossa casa,não sei o horário,apenas apareça na cafeteria com essa quantia e o mais importante sem os policiais...- Um silencio foi feito e a ficha da minha mãe caiu,ela soube que eu fui sequestrada.

― Filha,por favor,me diga a onde esta,me diga quem te pegou,por favor - O choro de minha mãe parecia ter aumentado.

― Mãe,apenas faça isso...Eu te amo.

Ligação Encerrada 

― Boa garota,é desse jeito que eu gosto,obediente e direta...Isso fica comigo - Pegou o meu celular que estava em cima da mesa ― Como eu disse,não precisara disso novamente...ah e caso a sua mãe arma uma pra nos a pena peço para que você torça pra que nada aconteça. - Andou um pouco distante de mim e pegou um pedaço de fita ― Hora de ficar quietinha novamente.Assim fica perfeito.